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A elevação da taxa básica de juros (Selic) fez os investimentos em renda fixa brilharem novamente aos olhos dos investidores. De acordo com o último relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os fundos de investimentos tiveram captação líquida positiva de R$ 83,8 milhões no primeiro trimestre deste ano, avanço de 119,9% na comparação com o mesmo período no ano passado. Este resultado foi puxado pelos fundos de renda fixa, que representaram 73,3% do total captado, ou seja, R$ 61,4 bilhões.

Na análise dos especialistas, a captação é explicada pela nova alta da Selic e sua tendência de elevação futura pelo Banco Central (BC), ao contrário do que ocorreu no passado recente. Para efeito de comparação, em novembro do ano passado, a Anbima divulgou que os fundos de investimentos tiveram resgates líquidos de R$ 20,4 bilhões. A grande parcela de culpa foi dos fundos de renda fixa, que foram responsáveis por 92,5% das retiradas no mês.

Na análise do gestor da Integral Investimentos, Marcos Lorio, a expectativa dos especialistas era de que a Selic ficasse baixa por um período mais longo de tempo. Mas com a pressão inflacionária, o Banco Central teve de se posicionar com um aumento e isso tornou os ativos em renda fixa novamente atrativos.

“No Brasil sempre tivemos uma taxa de juros alta, o investidor abandonou os fundos atrelados à Selic quando ela atingiu a mínima histórica e não tinha percepção de elevação. Porém, esse ano, por causa da pressão da inflação e a alta nas projeções do IPCA, o BC teve de elevar a taxa e isso fez voltar a atratividade para os fundos de renda fixa”, analisou.

Confira o comportamento da Selic na última década:

 

 

O analista de renda fixa da Valora Investimentos, Rodrigo Mendonça, acrescenta ainda que houve uma migração da poupança para os fundos de renda fixa. Só em março, os saques das cadernetas de poupança somaram R$ 321,174 bilhões, segundo o BC.

“Dessa captação líquida que tivemos nesses últimos meses para a indústria de fundos de renda fixa, observamos uma migração da poupança. Quando a Selic atingiu o patamar de 2%, a diferença de rentabilidade da poupança diferiu pouco da oferecida pelos ativos de renda fixa. Mas esse movimento tende a se inverter com a perspectiva de aumento da taxa, e os fundos de renda fixa tendem a ganhar um pouco mais de tração.”

 

Saiu mas já está de volta

Os que saíram da poupança e estão investindo em fundos de renda fixa são conhecidos como novos investidores. Mas há os investidores já conhecidos, ou seja, aqueles que investiam em fundos de renda fixa mas deixaram de aplicar por um tempo e agora estão de volta.

Segundo Mendonça, alguns investidores retiraram recursos, no período de março até fim de 2020, apenas por medo de default e alocaram seus investimentos em outros segmentos.

“Teve movimentação da renda fixa para o setor de multimercados e ações no ano passado, mas esse movimentos são cíclicos, então muita gente que migrou já atingiu uma parcela representativa de seu patrimônio e com a alta da Selic tende a trazer um pouco mais de fluxo para renda fixa”, disse Mendonça.

Portanto, a saída do investidor foi causada pela cautela devido à volatilidade inesperada. Mas Lorio aponta que houve aqueles que enxergaram oportunidade em outros mercados.

“O investidor mais arrojado viu a Bolsa cair, tirou os recursos da renda fixa e colocou tudo na renda variável. Hoje a bolsa de valores retornou ao patamar de 120 mil pontos e não há grandes perspectivas de avanço, então esse investidor começa a distribuir mais seu portfólio, retornando para renda fixa.”

 

Investimento em fundos de renda fixa é importante porque brasileiro não tem folga

Com a premissa de nova alta na Selic, os especialistas avaliam que os fundos de renda fixa continuarão a atrair mais recursos nos próximos meses.

Mas, além disso, as incertezas que pairam sobre a crise sanitária da pandemia do novo coronavírus (covd-19) fazem com que esses ativos tragam segurança ao investidor. “A pandemia influencia sim na busca por ativos mais seguros. Apesar de hoje ter um cenário mais claro com a vacinação, a gente não sabe o que vem pela frente”, analisou Lorio.

Porém, os investimentos em fundos de renda fixa não se explicam apenas pela pandemia, já que o investidor brasileiro convive com desafios macroeconômicos e políticos diários que influenciam suas decisões de investimentos.

“O investidor precisa olhar seu portfólio com cautela, porque além da pandemia estamos no Brasil. As questões políticas e físicas trazem volatilidade o tempo todo, então o brasileiro não tem muita folga. Claro que existe uma necessidade de cautela por causa da pandemia mas também por causa do cenário macroeconômico brasileiro”, afirmou, ao comentar o cenário dos fundos de renda fixa.

 

Fonte: Suno Notícias

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